segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

No teto, os pingos

Eu gosto desse silêncio sombrio. É quando penso no nada. Tudo está tão vazio, que me faltam palavras para concluir esse texto. Sobre o que eu ia escrever, mesmo? Não sei. Não lembro. Os pingos continuam caindo. O frio corta a minha pele. A sensação é incrivelmente deliciosa.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Porque é de verdade.

Você me feriu. Eu superei em partes. E o que sinto por você não é fácil de entender, embora tenha um nome bastante vulgar: amor. Por mais errado que tudo pareça estar, o meu sentimento é fixo. Imutável. Posso até arranjar outras pessoas, outros romances, outras ocupações. Mas sei que, no momento em que eu der meu último suspiro, me lembrarei apenas de você. E da vida que não tivemos juntas.

sábado, 18 de dezembro de 2010

love, love, love.

É forte, infinito, mágico. É algo que desafia as leis da inércia, da gravitação universal, da conservação da energia e do caralho à quatro. É algo capaz de quebrar pontes de hidrogênio, de desafiar a gravidade e de extinguir quilômetros de distância.

Contradição, dualidade, paradoxo. Sorrisos tristes, lágrimas felizes. Sofrimento prazeroso, alegria dolorida. Tudo, nada.

Você se machuca? Eu caio junto. E então o meu peito doi tanto quanto o seu. Você ri? Eu esqueço dos meus próprios pesadelos. E então meu coração ascende tanto quanto o seu. Porque eu não preciso de você; eu só preciso da sua felicidade.

E que foda-se o resto.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

como NÃO consolar uma pessoa

Estou despedaçada, humilhada, sem chão. Quero tirar esse peso da consciência. Alguém terá que me compreender.

Só não me diga que vai ficar tudo bem. Esse é o pior jeito de consolar uma pessoa. Me fale que eu cai. Me fale que fiz algo muito errado. Me xingue. Me faça sofrer ainda mais. Faça a minha culpa crescer até explodir. Me dê patadas. Fortes, de preferência. Só assim, arranjarei forças para me reerguer.

Nada vai ficar bem enquanto você disser que tudo vai ficar bem.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Perdida

Eu estava no controle. Ou pensava que estava. Eu tinha tanta confiança, que poderia sair gritando para céus e terras ouvirem: "Oi, estou no topo do mundo. Posso ver todos vocês daqui de cima. Venham e juntem-se a mim!".

Mas eu cai. Absurdamente. De uma hora para a outra.

Senti o gosto azedo da perda da auto-estima. Senti a garganta doer. Senti a culpa me apunhalar o peito. Senti frio, muito frio. Senti solidão. Senti o nada. Senti meus fantasmas se rebelarem contra mim. Senti tudo escurecer.

A tempestade invadiu meu céu ensolarado.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Stop.

Eu saio de casa, vou ao cinema, escolho o filme, compro o ingresso.

Na fila, olho para o casal ao lado. Tão felizes que me dá inveja. Ela segura um grande saco da pipoca mais deliciosa do mundo. Ele leva dois refrigerantes nas mãos. Tenho certeza de que terão uma noite maravilhosa.

Não tenho acompanhante, nem comida, mas quero ter a felicidade.

Olho para a fila da pipoca. Pequena. Tentadora. Preços bons. Chicletes, refrigerante, mentos, pastilha, chocolate. A vontade cresce. A boca saliva. A língua quase sente o gosto. O estômago se prepara para a digestão.

Mas algo dentro de mim diz Stop. Não posso.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Imaginário

Eu quero abrir a janela e respirar o mar salgado. O vento irá bagunçar o meu cabelo, e o barulho das ondas penetrará meus ouvidos. Depois me sentirei livre para sair e correr entre as flores da fazenda. Não precisarei me preocupar com as cobras: acho que ainda não estou fora da cidade.

Armarei uma rede com vista exclusiva para as montanhas banhadas em neve. Não fará frio. Então me deitarei para cochilar, e em pouco tempo não será mais possível diferenciar a realidade da imaginação.

Eu vou sentar sob a árvore mais alta do mundo, vou correr até o Japão, vou deixar pegadas na areia, vou rir, vou chorar de alegria, vou pular de um penhasco. Vou voar.

E, por último, vou descobrir que não vale a pena viver no mundo dos sonhos.